10 dezembro 2006

O rosto do ódio

Há fotos que se transformam em ícones, sinais indeléveis de um tempo, de um momento, de um sonho. Ou de um pesadelo. Esta foi a foto que correu mundo depois daquele triste 11 de Setembro de 1973. Para mim, e para muitos milhares de antifascistas de todo o mundo, esta é a imagem que melhor ilustra o ódio que levou ao derrube do governo legítimo de Salvador Allende.
Este é o rosto de uma traição. Traição ao sonho de um país mais justo, à legítima ambição de liberdade, ao direito de viver em paz que tão bem cantou Victor Jara - um dos muitos milhares que morreram por ordem do dono deste rosto.
O general que se esconde por trás de uns óculos escuros, de rosto fechado e semblante gelado, chamava-se Augsto Pinochet Ugarte. Morreu hoje. Não como merecia, mas morreu. E o mundo ficou mais limpo.

2 comentários:

marta disse...

E depois há uns que festejam e outros que não. E sobre isso tenho a dizer que não condeno os primeiros, mas que os achei parvos - o homem havia de morrer mesmo um dia, por isso, a festa deveria ter sido feita de modo contido, interior até.

Sem dúvida que o mundo ficou mais limpo e isso, por si só, é que merecia comemoração. Viva!!! Não directamente pela morte deste fascista implacável (isto não será uma redundância?), mas pelo facto de o mundo ter ficado mais bem cheiroso. Viva!

Sou muito radical em muita coisa. Sou pela liberdade - TODA - e pela paz - TODA. Mas sou incapaz de comemorar a morte até de um fascista ou terrorista ou pedófilo (gostaram da tríade? eheheh). Sou a favor da vida. SEMPRE. Apodrecer na prisão - ou outra coisa qualquer do género -, para mim, que sou ateia, parece-me castigo pior que a morte. Com a morte o ar fica mais respirável, só isso.

:)

Anónimo disse...

O gajo era um merdas, mas o mundo não ficou mais limpo por ele morrer. Foi apenas um pequeno excremento, aliás já ressequido, que se enterrou. Outros andam por aí, igualmento secos, ou frescos, e outros estão a ser largados neste momento pelos mais diversos animais e ideais. A culpa desta merda não é do Pinochet, nem do Stalin, nem do Bush nem do Saddam. Culpar estes rapazes não serve senão para nos deixar ir para a cama contentinhos.