03 setembro 2006

Um prazo curto

A União Europeia anunciou, pela voz de Javier Solana que vai dar um «prazo curto» ao Irão para parar com as «actividades nucleares sensíveis».
Gosto da ideia, um prazo curto, revela o sentido diplomático do ministro europeu. É certo que, para gente vulgar, um prazo curto pode ser dois dias ou um mês. E não é menos verdade que na dimensão cósmica do Universo, um prazo curto pode muito bem ser um milhão de anos. Mas, pelo meio, há sempre a dimensão histórica dos povos, onde o mesmo prazo curto vale um número indeterminado de décadas ou de séculos.
Solana e Irão têm, pois, um prazo longo para se entreterem. Resta saber o que é que acontece quando no final do prazo curto o Irão não ceder. A Europa vai lá e dá cabo deles? António José Teixeira e José Manuel Fernandes escrevem dois editoriais cada um e fazem o pleno das televisões? Manda-se um contingente passar férias ao deserto e comer-lhes as mulheres? O Luís Delgado apanha Mahmoud Ahmadinejad a jeito e vai-lhe ao cu?
Tantas perguntas sem resposta, nesta minha pobre alma terrorista!